A queda do Império Romano

Em texto também publicado pelo Meio&Mensagem, Beto Sirotsky conta o que enxerga para o futuro da indústria da comunicação.

Recentemente, em uma live entre Marcello Serpa e Hugo Rodrigues, dois dos caras mais admirados da nossa indústria, entrou em pauta o quanto a tecnologia está sendo disruptiva. Hugo até comentou e brincou que “sempre elogiamos e achamos bacana quando surgem Uber e Airbnb, mas, quando chegam ao nosso negócio, o cenário muda”. Serpa, então, contou que conheceu uma plataforma que conecta marcas a parceiros especialistas nas diferentes áreas da Comunicação e que achava que ela poderia “matar” o modelo de negócio no qual se fez e sempre acreditou. E, ao comparar o atual momento da nossa indústria com a queda do Império Romano, Serpa disse que o futuro do setor deverá seguir o mesmo caminho: da descentralização, da fragmentação.

Entendo que novos modelos de negócios devem ser vistos como alternativas, e não como ameaças ao já existentes. Especialmente, no pós-Covid-19, mais do que importantes, são necessários.

Muitos falam no “novo normal”, mas o fato é que as mudanças já vinham ocorrendo nos últimos anos, e de forma acelerada. A pandemia, que impôs mudanças às nossas rotinas pessoas e profissionais, tratou de intensificar o ritmo dessas transformações. Na nossa indústria, não tenho dúvida, a fragmentação será ainda maior. Por vocação ou por necessidade, teremos uma nova geração de empreendedores.

Muitos profissionais já vinham trilhando o caminho de serem donos de suas agendas, de fazerem a coisa do seu jeito, de experimentarem um novo modelo de vida. Agora, diante de um cenário tão complexo, com a crise impactando a economia global e com o desemprego em alta, é preciso estar atento (e aberto) às novas possibilidades. Humildade é a palavra chave para os tempos de incerteza que enfrentamos e, portanto, para aceitar que ninguém sabe o que realmente acontecerá.

Por enquanto, podemos assegurar que a Covid-19 foi responsável por significativa transformação digital. Muitos profissionais e muitas empresas tiveram que se render ao digital e a aprender a lidar com ele da melhor forma que foi possível. Na China, no início dos anos 2000, depois de enfrentar a SARS, o país acelerou o seu crescimento digital. Fred Trajano, CEO da Magalu e reconhecido com um dos maiores especialistas no mundo online, em recente artigo, escreveu que somente a digitalização poderia salvar a economia brasileira do novo coronavírus.

Na nossa indústria, não será diferente. As plataformas já existentes podem ser a saída para muitos profissionais que terão que dar um novo rumo a suas carreiras, freelando ou empreendendo. Elas conectam pessoas, mesmo que essas representem empresas. Mesmo em um mundo altamente acelerado pela tecnologia, os clientes buscam relações pessoais.

Assim, se você está paralisado com tudo o que está acontecendo, se sentindo sem rumo, provavelmente ainda não parou para pensar que alguma relação construída ao longo de sua carreira possa ser o gatilho para um novo projeto. Você, que é criativo, já perguntou para um de seus ex-clientes se ele não quer trabalhar novamente contigo no estúdio que você poderá montar? Você, que sempre foi atendimento, já perguntou para um ex-cliente se ele não gostaria que você gerenciasse suas necessidades centralizando um trabalho em rede?

Não tenho a menor dúvida que muitos responderiam sim, e você começaria a empreender.

Assim como aconteceu com a queda do Império Romano, o mundo não será mais o mesmo pós-pandemia. Em Roma, coube aos bárbaros darem o golpe no Império, e reconstruir algo novo sobre as ruínas daquela civilização. A história atual está sendo escrita e o que fizermos agora definirá quem serão os vencedores desta nova era. Desconfio que aqueles que se adaptarem mais rapidamente com menos certezas chegarão lá. Será?

Beto Sirotsky

Beto Sirotsky

Executive Partner

Racismo no mercado de comunicação

A convite da BPool, Ian Black, fundador da agência New Vegas, escreveu sua perspectiva sobre o tema que voltou a ganhar destaque nos últimos dias: racismo. Entendemos também que só falar não é o suficiente, mas abrir espaço pra quem tem propriedade e voz ativa neste campo é a nossa obrigação. Confira abaixo:

POST E TEXTÃO NO INSTAGRAM NÃO RESOLVEM A DESIGUALDADE, MAS ESCANCARAM A SUA RESPONSABILIDADE DE FORMA IRREVERSÍVEL

“Enquanto a gente não dividir a grana, não vai funcionar. O fato de você colocar a Karol Conka em um palco de um evento ou campanha não vai fazer com que amanhã tenha mais pretos na empresa”  

O trecho acima é de uma matéria que foi capa no Meio & Mensagem em Agosto de 2017. Três anos atrás, na CAPA do Meio & Mensagem. Não tem como falar que não leu.

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Lições da crise e a preparação para a retomada.

Com ou sem crise, daqui pra frente, a chave é se reinventar para não ficar para trás.

Navegar é preciso, mas pra onde? O cenário ainda é de incertezas, e hoje, são elas o principal combustível que movimentam reestruturações de negócios e estratégias mais ágeis de tomadas de decisão. 

Porque não fazer nada, é o mesmo que afundar.

Estamos vivendo uma experiência sem precedentes no mundo com mudanças drásticas dos hábitos de consumo e socialização. Contudo, algumas marcas vêm combinando propósito e negócios para chegar em denominadores comuns, tanto para os lucros, quando para a sociedade. E talvez aí, esteja a resposta para a pergunta do início deste texto.

Não existem fórmulas mágicas, nem gurus com métodos milagrosos. O inteligente agora é continuar a navegar mesmo em meio à tempestade em busca de novos mares.

Usando um modelo de 3 fases sugerido pela consultoria global McKinsey, levantamos algumas reflexões sobre como podemos reagir frente à crise com o que temos visto e conversado com nossos parceiros.

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Inovar no caos pode ser mais fácil do que você imagina.

A convite da BPool, Fernanda Belfort, executiva com mais de 20 anos de experiência em multinacionais e a incansável mente à frente do podcast Tribo de Marketing, conta como tradicionais corporações podem se manter inovadoras mesmo em momentos de crise. Leia abaixo!

Havia escrito esse texto sobre inovação um pouco antes da confusão toda do Covid-19 e, quando chegou a hora dele ir pro ar, já estava desatualizado. Hoje, nesse caos que vivemos, qualquer coisa pré-covid pode até ser válida, mas já tem um cheiro de mofo que não dá pra negar. E aqui não foi diferente. Aí resolvi reescrever. E vi que muito dele ainda era válido, mas que precisava sim de uma roupagem bem nova. Sim, a gente achava que o mundo estava mudando rápido, e que ele era VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo). Mas agora vivemos o CAOS. Tudo mudando à velocidade da luz. Mas, mais do que nunca, não podemos ficar parados. E, no meio de tanta incerteza, paralisar é fácil. De tudo que tenho visto por aí, tenho gostado muito do Jeremy Gutsche falando de inovação pelo caos. Muita coisa está mudando, e pra não se perder, é importante a gente voltar a agarrar os princípios.

Crises não são boas. Ainda mais quando envolvem algo tão importante quanto a saúde das pessoas. Mas crises criam caos. E caos cria oportunidades.

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O achismo no futuro do Live Marketing

Começo falando sobre o título porque hoje, tudo o que escrevem de opiniões referentes a eventos e entretenimento no mundo, é baseado no “acho que…”. E não seria diferente, já que o mais difícil não é só saber QUANDO vamos retomar essa área tão afetada, mas também COMO vamos retomar.

Existem muitas dúvidas e incertezas, mas uma coisa é absoluta: as relações e métodos têm que mudar. Acredito que a retomada irá se dividir em 4 fases:

Fase 1 – Eventos internos – Terão um apoio forte de plataformas digitais, podendo engajar os colaboradores com novas formas de se comunicar.
Fase 2 – Eventos pequenos – Máximo 50 pessoas, já com a participação de consumidores, mas ainda com restrições.
Fase 3 – Eventos médios – Quando as marcas e clientes irão se conectar novamente “cara a cara” sem tantas restrições.
Fase 4 – Eventos grandes – Acredito que apenas irão reiniciar quando existir uma vacina ou remédio eficaz, e que as pessoas não tenham mais dúvidas que podem “respirar o mesmo ar” sem correr riscos.

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De volta à essência

Ricardo “Kiko” Borger – redator publicitário e sócio na BPool – é o colunista convidado desta semana e fala sobre inspiração, criatividade e a volta à essência do que é ser criativo.

Esses dias recebi o seguinte job: criar campanha de endomarketing para uma rede de hospitais. Fosse em outros tempos, a reação seria tipo “casca, hein?”. No contexto atual, é o job da vida. Literalmente. Continua sendo casca, mas é aquele que importa, que pode fazer diferença de verdade. Quem mais que os colaboradores de hospitais merece receber uma mensagem contundente de apoio e acolhimento? Isso me fez refletir sobre outros Jobs e a relação da comunicação com o momento do mundo. A conclusão: ele, o momento, está nos fazendo voltar para a essência. O que, na minha opinião, é positivo.

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Relações [profissionais] mais humanas

Dia 1 de abril de 2020, 6h13 da manhã. Acordei com algumas ideias, abri meu laptop e comecei a escrever. Depois de algumas linhas rascunhadas e meia dúzia de e-mails respondidos, resolvi ir até a cozinha pegar uma xícara de café. Voltei pra cama, apoiei os travesseiros na parede, laptop no colo, café no aparador lateral e ali, ainda antes das 7h da manhã começava meu dia de trabalho.

Não, não é uma historinha de Dia da Mentira. E tampouco a glamorização do workaholic! Até porque, depois de alguns calls agendados para o período da manhã, provavelmente vou tirar um tempo pra fazer algum exercício físico ou simplesmente me dar o direito de ficar ensaiando riffs desafinados na minha guitarra. Ou, sendo mais realista, vou lavar a louça do jantar de ontem ou preparar o almoço.

É que simplesmente o lance de trabalhar de casa tem feito o trabalho ser mais fluido dentro do meu dia. Na BPool a gente sempre teve a liberdade de trabalhar de casa, de algum café, da praia…enfim… estar no escritório ou em casa nunca foi muito um corte seco entre estar trabalhando e não estar trabalhando.

Mas o confinamento forçado pela crise do COVID-19 tem feito o home office ter um novo significado e a dinâmica de trabalho ser revista e remodelada quase que diariamente.

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Precisamos falar sobre procurement

Se você participa do grupo que costuma fazer críticas ao setor de compras, não importa se as menos vorazes, está na hora de repensar essa posição. Tem sido quase um lugar comum ouvir que os compradores são burocráticos, não valorizam a inovação e a criatividade e só se preocupam com a redução dos custos. Esta percepção, porém, está mudando, especialmente nas organizações alinhadas com as mudanças.

Nessas, a área de compras atua a partir da visão estratégica do negócio e com o compromisso de planejar e promover uma gestão voltada para isso. Tal postura não só valoriza o setor, como faz com que seus profissionais assumam um novo perfil, desenvolvendo capacidades para lidar com as incertezas do mercado e com a efetiva chegada do futuro. São organizações que compreenderam que o processo de transformação alcança todos os indivíduos e departamentos e que uma boa ideia pode surgir em qualquer setor. Por isso, é preciso capacitar os times internos e criar um ambiente propício para a mudança.

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B: o novo A?

Ao longo da minha experiência e conversando com amigos e colegas, vi que a maioria sempre avaliou os fornecedores através dos números. Número de funcionários, de marcas atendidas, presença em X países, metragem do escritório, entre outros tantos que poderia ficar citando. Não sei precisar porque, mas acredito que isso tem a ver com a cultura e maneira de pensar dessa geração e até mesmo a influência das gerações anteriores, que tinham como principal objetivo a estabilidade.

De uns tempos para cá, isso mudou. Cada vez mais, nota-se como o indivíduo que está por trás de uma empresa, é o fator determinante para que ela seja escolhida como fornecedora. Não só o lado profissional desses indivíduos, sua reputação é formada pelos seus feitos, experiência e também pelo propósito que guia suas vidas, sua vida pessoal inclusa. Tudo isso se reflete na empresa que ele representa.

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