“Oi, estão me ouvindo bem?”

“Oi, estão me ouvindo bem? Legal… Todo mundo tá vendo a minha tela? Ixi….tá carregando, só um minuto. Ah, agora sim! Podemos começar ou estamos esperando mais alguém?”.

Se você falou ou ouviu algo do tipo nas últimas semanas (ou meses), não é uma mera coincidência. É apenas parte da nova rotina e do novo contexto. Reuniões por Zoom – e afins – permitem que muitos de nós possamos seguir trabalhando normalmente (?) mesmo durante o período de distanciamento social. Por isso então, lhes convido para um agradecimento coletivo a essas ferramentas!

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Se o modelo de trabalho home office perpetuar, seja ele hibrido ou total, é provavelmente porque o Zoom, o Meets, o Teams e toda a família de plataformas de reuniões online possibilitaram o trabalho remoto. 

Mas, se o início do texto te levou a crer que estou aqui pra louvar o Zoom ou enaltecer o home office, lamento informar que não é exatamente o caso. Independente da minha opinião sobre o assunto, o que eu quero é chamar a atenção para um fato, para então discutir como nos adaptamos a ele.

O fato em questão é óbvio: estamos trabalhando de maneira remota. Às vezes passamos o dia inteiro entre uma chamada e outra. 

E quais são os benefícios e os desafios deste tipo de reunião

Em artigo publicado pela Forbes, o colunista Avi Dan fala sobre como o trabalho remoto tem mudado a maneira de agências fazem concorrências (How Social Distancing And Working Remote Has Changed The New Agency Pitch) e como elas têm tentado se adaptar a isso. 

Num processo de concorrência, a agência precisa se diferenciar e criar química com a equipe do cliente. E como fazer isso se estão todos restritos a uma janelinha, sem muito – ou nenhum – tempo pré ou pós reunião? Como orquestrar as colocações certas, os diálogos enriquecedores e todo o encantamento necessário quando a maioria das pessoas está no mute?

Como reter a atenção do cliente se ele(a) tá com a câmera desligada e possivelmente navegando pelo Instagram enquanto você passa entre um slide e outro? Oras, você mesmo(a) nunca se aproveitou da câmera desligada pra falar com alguém na sua casa, ir buscar um lanche na cozinha ou responder a mensagens no WhatsApp?

O desafio não está restrito ao processo de concorrência e tampouco ao universo das agências. O trabalho presencial nos dá a chance de observar como as pessoas ao nosso redor se comportam no dia a dia, como reagem a determinadas situações, como atuam sob pressão… Conseguimos observar os gatilhos, as angústias e N outros elementos humanos que podem ficar escondidos atrás da janelinha na tela do laptop. 

E, se a maioria dos momentos informais – tipo cafezinho e conversa de corredor, onde grande parte das articulações e convencimento é feita – está fora da equação, quer dizer então que as videoconferências ganham outro patamar de importância. 

Precisamos então pensar em recursos e dinâmicas que enriqueçam o processo para que as ferramentas de fato trabalhem ao nosso favor. E não é um background da Golden Gate Bridge que vai fazer isso (piada interna de usuários de Zoom?)!

Mas, poxa, claro que reuniões por Zoom tem uma série de benefícios. Além de possibilitar um sem-número de conexões e interações que outrora pareciam inviáveis por questões logísticas, a incorporação dessas ferramentas no nosso dia a dia já provou que, se ainda havia alguma barreira geográfica para contratação e condução de trabalhos, agora elas foram demolidas de vez. 

Eu, particularmente, ainda não sou fãs das festas de aniversário ou festas juninas via Zoom. É o que tem pra hoje, mas uma grande bagunça e tenho a sensação que ninguém ouve ninguém.

Acho, porém, que esse tipo de situação me ajuda a treinar um pouco da escuta ativa. Ou seja, não é só esperar a minha vez de falar. É de fato valorizar o (pouco) tempo que meu interlocutor tem pra tentar transmitir alguma mensagem e de fato buscar absorvê-la. Num mundo tão cheio de estímulos e mensagens, a nossa ansiedade pra falar e nos fazer ouvir é natural. Será então que saber ouvir não seja parte integrante do processo de se fazer ouvir? 

O que acham?

“Oi, estão aí? Conseguiram me ouvir?” 

Photo by Morning Brew on Unsplash

Davi Cury

Davi Cury

Partner & Head of Creative Partners

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